quarta-feira, 2 de abril de 2008

Textos não editados I

Ao longo da existência deste blog tenho escrito vários textos que por vários motivos, não os tenho publicado. Decidi publicá-los, porque se foram criados para serem depositados aqui no Estranha Forma de Vida, é aqui que devem depostos e não perdidos na pasta dos meus documentos. E aqui fica o primeiro texto que foi escrito no dia 24 de Fevereiro de 2007.

Hoje o dia nasceu cinzento…

Hoje acordei triste. Levantei-me, abri a persiana e a janela do meu quarto na esperança de encontrar lá fora um dia radioso alegre, que me pudesse aquecer a face, a alma, o coração, mas não, também ele se apresentou hoje cinzento, frio, triste. Hoje não ouvi os pássaros, hoje não vi o céu azul, hoje o meu quarto não foi inundado pelos raios luminosos, quentes, reconfortantes dum sol resplandecente. Eu habito na fronteira entre a cidade e o campo, dum lado tenho prédios e do outro tenho pinheiros, uma mata e quando o céu exibe o azul vivo, a junção deste com o verde da mata… faz-me sentir bem, mas hoje não…
Estou triste. Porquê??? Não sei. Não sei!!??? É claro que sei, só não quero é admitir as razões. Apetece-me gritar, apetece-me chorar, apetece-me espancar, apetece-me ser espancado, apetece-me fugir, apetece-me ficar, apetece-me esconder, apetece-me ser encontrado. Tenho frio. Quero calor. Onde é que o posso encontrar?? Lá fora não, o dia está frio, há vento, está a chover, lá fora... Tudo isto, aliado ás árvores ainda despidas, dá um cenário triste a esta triste manha.
Continuo triste. Porquê tanta tristeza? Não sei. É claro que sei, só não quero é aceitar as causas. Não consigo encontrar razões para me animar.
O melhor é ir correr e ouvir música, pode ser que me esqueça dos motivos desta tristeza.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Dia 21 de Março.

Ser Poeta

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

Florbela Espanca

Hoje é o dia Mundial da Floresta, da Árvore, dia Mundial da Poesia, dia Universal do Teatro, hoje começa a Primavera...

Acordar Cedo.

Isto de levantar cedo, até que não é mau de todo. Ontem acordei quase de madrugada, ás 9h, deu para arrumar o meu quarto, que estava a modos que, quase de pernas pró ar, ainda fiz o almoço, e tive a tarde toda para ir dar umas voltas que necessitava de dar e apanhar na face o belo do sol quentinho que estava.
Hoje também acordei cedinho, fui até um sitio que já não ia à já algum tempo, o mercado. Ahhhh que saudades daquele aroma característico, daquela gritaria toda, “É A CINCO EUROOOSSS”…
Pode até não fazer crescer nem dar saúde, mas uma pessoa até fica bem mais disposta principalmente quando existe este sol que tem estado, para nos aquecer a alma…

quarta-feira, 12 de março de 2008

QUERO É VIVER

Vou viver
até quando eu não sei
que me importa o que serei
quero é viver

Amanhã, espero sempre um amanhã
e acredito que será
mais um prazer

e a vida é sempre uma curiosidade
que me desperta com a idade
interessa-me o que está para vir
a vida em mim é sempre uma certeza
que nasce da minha riqueza
do meu prazer em descobrir

encontrar, renovar, vou fugir ou repetir

vou viver,
até quando, eu não sei
que me importa o que serei
quero é viver
amanhã, espero sempre um amanhã
eacredito que será mais um prazer

a vida é sempre uma curiosidade
que me desperta com idade
interessa-me o que está para vir
a vida, em mim é sempre uma certeza
que nasce da minha riqueza
do meu prazer em descobrir

encontrar, renovar vou fugir ou repetir

vou viver
até quando eu não sei
que me importa o que serei
quero é viver,
amanhã, espero sempre um amanhã
e acredito que será mais um prazer

Humanos

terça-feira, 11 de março de 2008

Estado




Cansado,
descontente,
desapontado,
triste,
desiludido,
esgotado,
insatisfeito,
amargurado,
decepcionado,
infeliz,
consumido,
descrente…

quarta-feira, 5 de março de 2008

Apontamento

A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada descuidada.
Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso.


Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir.

Fiz barulho na queda como um vaso que se partia.
Os deuses que há debruçam-se do parapeito da escada.
E fitam os cacos que a criada deles fez de mim.

Não se zanguem com ela.
São tolerantes com ela.
O que era eu um vaso vazio?

Olham os cacos absurdamente conscientes,
Mas conscientes de si mesmos, não conscientes deles.

Olham e sorriem.
Sorriem tolerantes à criada involuntária.

Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas.
Um caco brilha, virado do exterior lustroso, entre os astros.
A minha obra? A minha alma principal? A minha vida?
Um caco.
E os deuses olham-o especialmente, pois não sabem por que ficou ali.

Álvaro de Campos

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

PARABÉNS BENFICA!!!

Hoje, dia 28 de Fevereiro o meu clube do coração comemora o 104º aniversário. Apesar de não estar a passar uma boa fase, acho que este momento devia ser referido aqui neste blog. Só me falta esfregar ás mãos e esperar que no proximo ano, quando comemorar o 105º aniversário, haja também outras razões para comemorar...FORÇA BENFICA!!!


ps: Hoje também é o dia do meu aniversário, por isso parabéns para mim também...

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

"Esta coisa de gostar de alguém"

"Esta coisa de gostar de alguém não é para todos e, por vezes – em mais casos do que se possa imaginar – existem pessoas que pura e simplesmente não conseguem gostar de ninguém. Esperem lá, não é que não queiram – querem! – mas quando gostam – e podem gostar muito – há sempre qualquer coisa que os impede. Ou porque a estrada está cortada para obras de pavimentação. Ou porque sofremos de diabetes e não podemos abusar dos açucares. Ou porque sim e não falamos mais nisto. Há muita gente que não pode comer crustáceos, verdade? E porquê? Não faço ideia, mas o médico diz que não podemos porque nascemos assim e nós, resignados, ao aproximar-se o empregado de mesa com meio quilo de gambas que faz favor, vamos dizendo: “Nem pensar, leve isso daqui que me irrita a pele”.


Ora, por vezes, o simples facto de gostarmos de alguém pode provocar-nos uma alergia semelhante. E nós, sabendo-o, mandamos para trás quando estávamos mortinhos por ir em frente. Não vamos.. E muitas das vezes, sabendo deste nosso problema, escolhemos para nós aquilo que sabemos que, invariavelmente, iremos recusar. Daí existirem aquelas pessoas que insistem em afirmar que só se apaixonam pelas pessoas erradas. Mentira. Pensar dessa forma é que é errado, porque o certo é perceber que se nós escolhemos aquela pessoa foi porque já sabíamos que não íamos a lado nenhum e que – aqui entre nós – é até um alívio não dar em nada porque ia ser uma chatice e estava-se mesmo a ver que ia dar nisto. E deu. Do mesmo modo que no final de 10 anos de relacionamento, ou cinco, ou três, há o hábito generalizado de dizermos que aquela pessoa com quem nós nos casámos já não é a mesma pessoa, quando por mais que nos custe, é igualzinha. O que mudou – e o professor Júlio Machado Vaz que se cuide – foram as expectativas que nós criamos em relação a ela. Impressionados?



Pois bem, se me permitem, vou arregaçar as mangas. O que é díficil – dizem – é saber quando gostam de nós. E, quando afirmam isto, bebo logo dois dry martinis para a tosse. Saber quando gostam de nós? Mas com mil raios, isso é o mais fácil porque quando se gosta de alguém não há desculpas nem “ ai que amanhã não dá porque tenho muito trabalho”, nem “ ai que hoje era bom mas tenho outra coisa combinada” nem “ ai que não vi a tua chamada não atendida”.



Quando se gosta de alguém – mas a sério, que é disto que falamos – não há nada mais importante do que essa outra pessoa. E sendo assim, não há sms que não se receba porque possivelmente não vimos, porque se calhar estava a passar num sítio sem rede, porque a minha amiga não me deu o recado, porque não percebi que querias estar comigo, porque recebi as flores mas pensava não serem para mim, porque não estava em casa quando tocaste.



Quando se gosta de alguém temos sempre rede, nunca falha a bateria, nunca nada nos impede de nos vermos e nem de nos encontrarmos no meio de uma multidão de gente. Quando se gosta de alguém não respondemos a uma mensagem só no final do dia, não temos acidentes de carro, nem nunca os nossos pais se sentiram mal a ponto de nos impossibilitarem o nosso encontro. Quando se gosta de alguém, ouvimos sempre o telefone, a campaínha da porta, lemos sempre a mensagem que nos deixaram no vidro embaciado do carro desse Inverno rigoroso. Quando se gosta de alguém – e estou a escrever para os que gostam - vamos para o local do acidente com a carta amigável, vamos ter com ela ao corredor do hospital ver como estão os pais, chamamos os bombeiros para abrirem a porta, mas nada, nada nos impede de estar juntos, porque nada nem ninguém é mais importante, do que nós."



De Fernando Alvim in http://esperobemquenao.blogspot.com/

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Devaneios...

Hoje gostava de escrever um poema.
(...)

Gostava de nesta noite poder ser poeta, ter a sensibilidade de um trovador, o domínio sobre as rimas e as métricas, para poder exprimir tudo o que sinto, (...).
Gostava mas sou incapaz de alcançar tal coisa. E sou demasiado honesto para escrever um poema, sobre os sentimentos e as sensibilidades, de uma outra pessoa.
Gostava que essas palavras fossem minhas, nesse poema. Mas não. Não sou poeta nem posso aspirar a tal condição. Por isso tenho de me conformar com essa realidade e escrever sempre que tiver coragem, singelas mas sinceras palavras, (...)


ps: este texto esteve por breves momentos, algumas horas, completo. Não se encontra por agora completo porque sofreu os efeitos do lápis azul do autor deste blog, autor esse que umas horas antes o escreveu e o editou aqui... talvez um dia o mostre, completo, à pessoa para quem era, sim talvez um dia...

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Ansiedade Social...

"O Distúrbio de Ansiedade Social, também conhecido por “Fobia Social”, é um distúrbio muito frequente que afecta até 7% da população (dados dos EUA) mas que até há alguns anos era mal compreendido e negligenciado. O que em parte pode ser explicado pelo facto de as pessoas que sofrem deste problema, o tentarem ocultar e sofrerem normalmente em silêncio.
É um distúrbio que pode ser extremamente perturbador e impedir uma vida normal, a nível pessoal, académico e profissional.

A Ansiedade Social surge normalmente pela primeira vez entre os 15 e os 30 anos e os sintomas manifestam-se pela ansiedade, medo e até pânico, de estar em situações sociais, de ser julgado e avaliado negativamente por outras pessoas, de ser o centro das atenções, de ser observado, de ficar numa situação humilhante face a outros, parecer ridículo, tolo, desajeitado, de não estar à altura da situação.
A ansiedade causada por estas situações pode ser tão forte que leva ao seu evitamento, e em casos extremos a pessoa pode inclusivamente recusar-se a sair de casa.

Existe uma forma específica de ansiedade social que se manifesta apenas em situações em que é necessário falar em público, como fazer uma apresentação de um trabalho numa sala de aula ou falar numa palestra. No entanto, a forma mais comum é a ansiedade social generalizada, em que a ansiedade surge em quase todas as situações sociais.

A Ansiedade Social é muito pouco conhecida pela população em geral, que muito facilmente a confunde com timidez ou uma mania. Muito frequentemente nem o próprio compreende bem o que se passa consigo.
Todas as pessoas sentem ansiedade numa ou noutra circunstância, e isso é normal, é uma reacção que faz parte do nosso funcionamento, sendo normalmente benéfica.
No entanto, em certas pessoas, a ansiedade sentida em situações sociais é tão alta, que as impede de funcionar normalmente e as leva ao evitamento dessas situações. Nestes casos existe um Distúrbio de Ansiedade Social.

A maior parte das pessoas que sofre com este problema, nunca chega a ser devidamente diagnosticada e não é tratada. Muitas recorrem ao álcool como forma de diminuir as dificuldades, no entanto, para além dos problemas relativos ao álcool em si, ele pode potenciar os efeitos da ansiedade social.
Existem vários tratamentos que têm bons resultados: Terapia cognitivo-comportamental, grupos de “aptidões sociais” e medicação.

Em Portugal, a Ansiedade Social está muito pouco divulgada, no entanto, se existirem os mesmos 7% da população com o distúrbio, isso corresponde a cerca de 665.000 portugueses!
Aos poucos, os profissionais de saúde têm-se interessado mais por este problema e actualmente já existem vários especialistas, alguns livros publicados e nas grandes cidades é possível ser acompanhado por um psicólogo ou psiquiatra e fazer um tratamento específico. O que é altamente aconselhado, sobretudo para aqueles que vêem a sua vida grandemente afectada pela Ansiedade Social.


Algumas situações que costumam causar ansiedade e que costumam ser evitadas:
Falar em público.
Comer em público.
Ser apresentado a outras pessoas.
Ir a festas.
Ser observado a fazer alguma actividade.
Ser o centro das atenções.
Ser criticado ou brincarem connosco.
Ser observado.
Começar uma conversa.
Dar ou defender a nossa opinião.
Falar com pessoas em posições de autoridade (professor, polícia).
Ter encontros sociais com estranhos, sobretudo do sexo oposto.
Olhar outras pessoas nos olhos.
Dar ou receber elogios.
Relações pessoais, de amizade ou românticas.
Procurar ajuda médica.

Alguns dos sintomas físicos habitualmente sentidos:
Taquicárdia.
Aumento da tensão arterial.
Tremores.
Voz trémula.
Falta de ar.
Ruborização (corar).
Náuseas.
Diarreia.
Mãos frias e suadas.
Tensão muscular.
Desconforto gastro-intestinal.
Sudação excessiva (suar).
Dificuldade de contacto a nível dos olhos.

Alguns dos medos mais comuns:
Medo que os outros notem os sintomas físicos da ansiedade, tais como sudação, tremores, ruborização, voz alterada.
Parecer ridículo, tolo, desajeitado.
Parecer chato, demasiado calmo e desinteressante.
Ser negativamente avaliado e julgado pelos outros, sobretudo a nível social.

Algumas das consequências possíveis na vida de pessoas com Ansiedade Social:
Abuso de álcool, ocasionalmente ou de forma continuada.
Auto-medicação.
Depressão.
Auto-estima muito baixa.
Vida social limitada, com dificuldade em manter relações já formadas.
Falha de oportunidades de educação e emprego.
Isolamento da sociedade e da família.
Sofrimento."

Pois...

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Um Ano.

Hoje faz um ano que bloguei pela primeira vez. Exactamente, hoje esta espécie de blog comemora um ano de uma existência nem sempre feliz. Nem sempre pude dar toda a atenção que ele merece, nem sempre foi divulgado nele textos com conteúdo enriquecedor e nem sempre o teor dos posts foram minimamente interessantes, tudo isto vem ao encontro, ao que foi comunicado no post número 1. Apesar de ter existido alguns momentos de silêncio, o balanço deste primeiro ano foi de alguma forma positivo, apesar de ter uma massa de leitores bastante reduzida, o que não me desagrada, nunca foi, nem nunca será, objectivo deste blog ser um blog de massas, este blog é só para ser lido por pessoas que conheçam a personagem única, já anteriormente apelidada por ícone, que lhe deu vida. Mas desde já agradeço a todos os seus visitantes, pelo tempo dispendido, ao ler as linhas e palavras que aqui escrevo, nem sempre coerentes e nem sempre bem ajuizadas, fruto de uma mente nem sempre clara. Agradeço também os comentários, é sempre bom receber um feedback vindo do exterior.
Para o futuro não prometo melhorias, nem descidas de impostos, nem subidas de salários, prometo sim, e esse é um objectivo meu, conceder um pouco mais de atenção a este blog.
Um bem haja para todos.
Vou agora beber champanhe para comemorar.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Não soube a nada...

E pronto antes de começar… acabou…
A edição de 2008 do Dakar foi, como todos sabem, cancelada devido a razões de insegurança. O rali deste ano, teve uma morte prematura mas, mesmo assim, continua-se a ver marcas patrocinadoras deste evento a usarem a imagem do Dakar nas suas campanhas publicitárias. Mas existe uma que me chama particularmente a atenção… foi de génio… eles devem ter ido à bruxa ou devem ter tido uma visão… na minha opinião deve ser o anúncio publicitário do ano pela sua previsão, adivinhação, do que se iria passar… estou a referir do já famoso anuncio publicitário do principal patrocinador do Dakar, em que surge uma família “excêntrica”, pronta para iniciar o Dakar de veleiro, em que o capitão da embarcação manda o mordomo, Jarbas, ligar a água para encher o deserto, mas não é verdade que ele abriu de tal forma a torneira, que o Dakar deste ano meteu mesmo água…
Pois infelizmente meteu água e não foi pouca, e deu cabo dos meus planos para estas duas semanas, em que iria durar o rali Lisboa – Dakar. Já tinha tudo planificado, ver os excertos das etapas portuguesas em directo, que iriam dar na RTP e na RTP N, visualizar todos os dias os resumos condensados da RTP 1, os resumos alargados da RTP N e da Eurosport…
Mas pronto este ano não vai haver Dakar para ninguém, não vai dar para sonhar um pouco enquanto se vê aquelas magnificas imagens, não vai dar para imaginar como seria participar numa aventura daquelas…
O que vale é que na Eurosport, durante estas duas semanas, vão transmitir os resumos alargados de cada uma das provas do Dakar, desde da primeira em 1979 até à última em 2007.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Adiamento.

Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã...
Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
E assim será possível; mas hoje não...
Não, hoje nada; hoje não posso.
A persistência confusa da minha subjectividade objectiva,
O sono da minha vida real, intercalado,
O cansaço antecipado e infinito,
Um cansaço de mundos para apanhar um eléctrico...
Esta espécie de alma...
Só depois de amanhã...
Hoje quero preparar-me,
Quero preparar-me para pensar amanhã no dia seguinte...
Ele é que é decisivo.
Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos...
Amanhã é o dia dos planos.
Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o mundo;
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã...

Tenho vontade de chorar,
Tenho vontade de chorar muito de repente, de dentro...

Não, não queiram saber mais nada, é segredo, não digo.
Só depois de amanhã...
Quando era criança o circo de domingo divertia-me toda a semana.
Hoje só me diverte o circo de domingo de toda a semana da minha infância...
Depois de amanhã serei outro,
A minha vida triunfar-se-á,
Todas as minhas qualidades reais de inteligente, lido e prático
Serão convocadas por um edital...
Mas por um edital de amanhã...
Hoje quero dormir, redigirei amanhã...
Por hoje, qual é o espectáculo que me repetiria a infância?
Mesmo para eu comprar os bilhetes amanhã,
Que depois de amanhã é que está bem o espectáculo...
Antes, não...
Depois de amanhã terei a pose pública que amanhã estudarei.
Depois de amanhã serei finalmente o que hoje não posso nunca ser.
Só depois de amanhã...
Tenho sono como o frio de um cão vadio.
Tenho muito sono.
Amanhã te direi as palavras, ou depois de amanhã...
Sim, talvez só depois de amanhã...

O porvir...
Sim, o porvir...

Álvaro de Campos

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Nostalgia...

Ontem à noite fui parar acidentalmente (ou não) à minha pasta de fotografias. Deu-me vontade de ver um conjunto de fotos de uma pasta, das muitas que (felizmente) possuo, relativamente aos meus tempos académicos, que agora estão prestes a findar. Depois tive vontade de ver uma outra que estava ao lado, depois uma outra que já não via há muito tempo, e mais outra… acabei por vê-las todas. Assim passei duas horas e meia ou mais (até me esqueci de jantar…).
Foi uma autêntica revisitação aos imensos bons momentos que tenho vivido ao longo destes cinco anos e alguns meses de convivência académica, com muitos e bons amigos… Por momentos mergulhei nas festas, nos jantares, nos passeios, nas tardes a jogar descobridores, nos jogos de futebol, de basket, as noites de “chinca”, as noites no casa blanca, nas conversas, nos momentos mais simples mais singelos que passei com cada um dos amigos que fiz…

Recordei, ri, lacrimejei, senti saudade, nostalgia, mas principalmente de felicidade muita felicidade e senti-me um sortudo, um grande sortudo, tive muita sorte em ter conhecido e convivido, com pessoas a quem posso chamar-lhes amigos… Sei que por vezes, posso não ter sido o amigo que essas pessoas mereciam, por vezes, falhei como amigo, sei-o, e envergonho-me, e por isso peço desculpa, apesar de nem eu me conseguir desculpar-me.
Não sei que futuro me esta reservado, não sei que destino me reservam as estrelas, não sei que caminho vou desenhar para o meu futuro, mas uma coisa sei e tenho a certeza, esteja onde estiver, todos vocês meus amigos, ocuparão uma grande espaço no meu coração e no meu pensamento, porque vocês meus amigos, já fazem parte de mim.

Nota: Este post, é dedicado a todos os amigos que fiz, ao longo destes quase seis anos, agradecendo a sua amizade e a paciência que tiveram, e que alguns ainda têm de ter, para aturar esta personalidade complicada, que eu possuo.

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Resultados e Conclusões da sondagem # 2

Pergunta: Como se aproxima a passos largos o Natal, uma época em que se dá e se recebe, o que é que, os caros leitores, me vão dar, para eu receber?

Opção 1: um jantar com Nicole Sherzinger.
Opção 2: uma viagem de um mês pela Índia, Nepal e Tibete.
Opção 3: uma casa de férias nos Alpes.
Opção 4: um Ferrari F430 Scuderia.
Opção 5: um caramelo.


Analisando os resultados pode-se assinalar os seguintes aspectos:
É de notar antes de mais, o aumento da amostragem, portanto dos participantes, em relação à anterior sondagem, e desta vez só votei 4 vezes, este facto ficou-se a dever a um maior número de pessoas que sofreram pressão para votarem, por minha parte…;
Ponto dois, os participantes gostam tanto de mim que a maioria dariam doces (caramelos) para me adoçarem a boca… a opção 5 foi votada por 45% dos participantes, em segundo lugar com a percentagem de 18% vêm as opções 1 e 2, e em terceiro lugar as opções 3 e 4 com 9%.
Após estes valores cheguei à seguinte interpretação (o que os votantes criam-me oferecer este Natal):
Depois de um belo jantar com a Nicole Sherzinger, partimos os dois numas magníficas férias de um mês a viajar pela Índia, Nepal e Tibete. Depois desta esgotante viagem descansamos uma semana na minha casa de férias dos Alpes, à qual eu chego no meu lindo Ferrari F430 Scuderia, vermelhinho. Quando chegar a casa ofereço uns saborosos caramelos à Nicole, e devido ao frio calço, umas lindas peúgas que me ofereceram (Opção 6, que foi a escolha de uma pessoa).

domingo, 23 de dezembro de 2007

Feliz Natal!!!

Bruce Springsteen Santa Claus Is Coming To Town - London

A todos os leitores e visitantes deste blog, um bom e feliz Natal.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

É Amanhã!!!!!

Ahhhh… É já amanhã… É já amanhã à noite… Finalmente… Ai que saudades… É já amanhã dia 20 de Dezembro… Há tanto tempo que já esperava por este dia… Há meses que ansiava por este momento… A quarta temporada da Anatomia de Grey, ahhhh… Vai merecer um baldinho de pipocas… Até já me estou a imaginar… Eu, deitado, no sofá confortável, da minha sala, embrulhado a uma manta, com o baldinho das pipocas à minha beira, a ver o primeiro episódio, da quarta temporada da minha Anatomia de Grey, no plasma de 42”… Ahhhhh, isto é que é vida… Quase que já me estou a babar… Tantas dúvidas que o final da terceira temporada deixou no ar… Mas é já amanhã à noite dia 20 de Dezembro na Fox Life…

sábado, 15 de dezembro de 2007

Mika - Relax, Take It Easy

Took a right to the end of the line
Where no one ever goes.
Ended up on a broken train with nobody I know.
But the pain and the (longings) the same.
(Where the dying
Now I’m lost and I’m screaming for help.)

Relax, take it easy
For there is nothing that we can do.
Relax, take it easy
Blame it on me or blame it on you.

It’s as if I’m scared.
It’s as if I’m terrified.
It’s as if I scared.
It’s as if I’m playing with fire.
Scared.
It’s as if I’m terrified.
Are you scared?
Are we playing with fire?

Relax
There is an answer to the darkest times.
It’s clear we don’t understand but the last thing on my mind
Is to leave you.
I believe that we’re in this together.
Don’t scream – there are so many roads left.

Relax, take it easy
For there is nothing that we can do.
Relax, take it easy
Blame it on me or blame it on you.

Relax, take it easy
For there is nothing that we can do.
Relax, take it easy
Blame it on me or blame it on you.

Relax, take it easy
For there is nothing that we can do.
Relax, take it easy
Blame it on me or blame it on you.

Relax, take it easy
For there is nothing that we can do.
Relax, take it easy
Blame it on me or blame it on you.

It’s as if I’m scared.
It’s as if I’m terrified.
It’s as if I scared.
It’s as if I’m playing with fire.
Scared.
It’s as if I’m terrified.
Are you scared?
Are we playing with fire?

Relax
Relax

For a friend...

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Mais Olhos que Barriga...

Espectáculo, tenho mais dez programas novos no meu pc, entre eles, o inDesing CS2, o Ilustrator CS2, o Photoshop CS2, o Acrobat Profissional 7, os outros nah sei donde nem como apareceram, mas devia ser do tipo promoção, levas mais 4 ou 5 e pagas o mesmo (já que era pirateado, à boa maneira portuguesa)… isto depois de desistir de instalar as versões CS3 e 8 (também eles pescados no grande mar que é a internet), o raio dos serial numbers, das activações, dos cracks… eu e a informática, nunca faremos uma boa conjugação. Depois de tudo muito bem instalado (um bocado sem querer, ainda estou para saber como é que consegui, mas se calhar foi da ajuda, também ela meio acidental, da minha cara amiga b_fly) e dos updates feitos (quase uma hora de updates), chegou o tempo, de muito bem acomodado no conforto do meu quarto, ver as capacidades dos meus novos brinquedos. Abri um, e um outro e outro… tá bonito… qual burro a olhar para um palácio… nah percebo nada das novas aquisições. Acho que tenho de ir sacar uns livros de instruções à net, e o mais certo é só consegui-los em Inglês, para tornar a coisa muito mais interessante e animada. Ainda quero eu adquirir o autoCad…
Obrigado Kandinsky, a responsável por me arranjar o entretimento para a época natalícia deste ano.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

O Fim do Mundo.

Vi num dia destes a notícia de uma seita russa, que acredita, que o fim do mundo acontecerá em Maio de 2008. Esta, tem o nome de “A Verdadeira Igreja Ortodoxa”, que é constituída por cerca de trinta pessoas lideradas por Kuznetsov Piotr, criador do livro “Sete Cabeças, dez Cornos da Rússia” (ah?? que belo titulo), que serve de guia a esta seita. Neste momento encontram-se barricados numa gruta a aguardar pelo fim do mundo que ocorrerá em Maio de 2008. 2008??? Eh pá nah me dava mesmo jeitinho nenhum o fim do mundo ser em 2008 (ainda por cima em Maio…em Junho é o euro 2008), é que já tenho alguns planos para 2008, vou acabar o curso, quero viajar, pelo menos ir a Barcelona, quero começar a trabalhar, na tal gasolineira em Espanha ou na apanha do kiwi na Nova Zelândia…
Será que não dá para adiar o apocalipse uns anitos??? É que eu ainda queria chegar a 2009, para ver se o meu professor de química leu bem a minha carta astral…
Outra coisa que me intriga é… porque raio enfiaram-se eles numa gruta??? Esperar dentro de uma gruta pelo fim do mundo não me parece razoável dentro do irrazoável. Será que pensam que enfiados numa gruta escapam ao fim do mundo??? Sim é o que pensam… o tal senhor diz que só se salvarão os que tiverem dentro da dita gruta… mas como é que a gruta vai aguentar o cataclisma, o apocalipse??? Se calhar está abençoada…
Em todo o caso, vou continuar normalmente com a minha vidinha, é que, eu dou-me mal com sítios escuros, frios e húmidos, faz mal aos ossos e é propicio a gripes e constipações…

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Árvore de Natal

Este fim-de-semana, montei a minha Árvore de Natal. Ficou bonita, como é óbvio, eu até tenho muito bom gosto. Mas à medida que estava a monta-la ia reparando no país de fabrico dos seus diferentes elementos que a compunham… portanto árvore artificial made in P.R.C.; enfeites de bolas grandes vermelhas opacas made in P.R.C.; enfeites de bolas pequenas douradas made in P.R.C.; enfeite de fita lisa vermelha made in P.R.C.;enfeite de fita com estrelas dourada made in P.C.R.; estrela made in China; 140 lâmpadas brancas made in China…
Ainda bem que não compro nada nos chineses…

Resultados e conclusões da sondagem #1

Pergunta: Sendo esta a primeira sondagem deste blog a pergunta que se apresenta parece-me ser a que mais tem sentido. A vida é muito estranha e injusta, não acham???

Opção 1: É pois. Só agora é que reparaste?
Opção 2: Não, somos nós que a fazemos estranha.
Opção 3: estranho és tu, acorda mas é prá vida.
Opção 4: Vai passear.

Após estes dias todos de votação pode-se chegar ás seguintes conclusões: com os 9 votos contabilizados pode-se concluir que, este blog tem uma existência bastante insignificante, estúpida e até patética, ainda por cima porque dos 9 votos, 5 eram meus, 2 foram graças à minha persistência, ficando assim 2 votos válidos, sem pressão…
Quanto à questão por mim levantada e ás possibilidades de resposta que existiam, folgo muito em saber que os/as caros/as leitores/as, deste espécie de blog, pensam que eu viajo pouco e por isso devia de ir passear, a resposta vencedora foi a opção “vai passear” foi escolhida por 33% das pessoas, portanto 3 (uma das quais fui eu próprio)… agora falta saber se estavam a pensar no meu bem estar e na minha felicidade ou no bem estar e na felicidade delas…”vai, vai passear para bem longe…e olha fica por lá”…
Com duas respostas cada uma, vêm as outras opções de resposta.
Mas sondagens à parte, a minha opinião é que sim a vida prega-nos com cada partida, ela consegue por vezes ser muito injusta para pessoas que não merecem, porque é que é preciso tanto sofrimento??? Ainda para mais a nossa passagem por este mundo é tão efémera e fugaz…

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Eu admito!!!!

Eu sei ser justo, eu sou realista e sei dar o braço a torcer...uhnh (já torci o braço)... Tá um frio desgraçado, que já não consigo andar só de t'shirt, tenho de andar também com um casaco vestido...isto claro esta durante a noite...e apesar da bonita cidade de Tomar não ser muito fria...

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Under The Bridge

Sometimes I feel
Like I dont have a partner
Sometimes I feel
Like my only friend
Is the city I live in
The city of angel
Lonely as I am
Together we cry

I drive on her streets
'cause shes my companion
I walk through her hills
'cause she knows who I am
She sees my good deeds
And she kisses me windy
I never worry
Now that is a lie

I dont ever want to feel
Like I did that day
Take me to the place I love
Take me all the way

Its hard to believe
That theres nobody out there
Its hard to believe
That Im all alone
At least I have her love
The city she loves me
Lonely as I am
Together we cry

I dont ever want to feel
Like I did that day
Take me to the place I love
Take me all the way

Under the bridge downtown
Is where I drew some blood
Under the bridge downtown
I could not get enough
Under the bridge downtown
Forgot about my love
Under the bridge downtown
I gave my life away

Red Hot Chili Pepers - Blood Sugar Sex Magik

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Atirar a toalha ao tapete...

É a acção que se toma num ringue de boxe para desistir.
São numerosas as pessoas que desistem.
São diversas as coisas ou objectivos das quais desistem.
Desistem de um jogo ás cartas, desistem de encontrar respostas para questões simples, desistem de desvendar um enigma, desistem de um exame, desistem de compreender alguém, desistem de amigos, desistem da família, desistem de um amor, desistem dos sonhos, desistem de ser felizes, algumas desistem até de viver
O que leva uma pessoa a desistir? Quais são as razões para se deixar de lutar para alcançar algo, para ter algo, ou de ser alguém?
Não vale o esforço, é difícil, faltam forças, falta coragem, falta alento, falta ânimo, falta audácia, faltam motivos, razões??
E o que teria acontecido se não se desistisse?? A recompensa não teria sido muito superior? Mais reconfortante? Se não se tivesse baixado os braços, baixado a cabeça e deixar-se cair no vazio do nada, o nada, que é a retribuição o brinde pelo facto de se desistir.
E mesmo sabendo disto tudo, porque é que depois se continua a desistir? Será que estas pessoas valem o esforço, o sacrifício? Não merecerão estas pessoas que se desista delas?? Que caiam no sombrio esquecimento da nossa memória??

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Já dizia o provérbio…


“Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje”


Não sei se é um provérbio de origem portuguesa, é algo irónico se for, o bom português deixa tudo para a última hora…cria mais “suspense”. Trabalhos, relatórios, grandes obras, acesso para o euro 2008, etc… mas se existe algo que o português nah dá hipótese de falhar é na iluminação de natal… Faltam dois meses para o natal e Tomar já tem a iluminação de natal montada. Era bom que as obras que tem decorrido por toda a cidade de Tomar, que até já levaram o próprio presidente da câmara a dizer “…tou farto de obras…” fossem assim, rápidas e terminadas antes que alguém desse por elas…

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

"Já dizia o poeta...

...Quem já passou por essa vida e não viveu
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu
Porque a vida só se dá pra quem se deu
Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu
Ah, quem nunca curtiu uma paixão nunca vai ter nada, não
Não há mal pior do que a descrença
Mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão
Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair
Pra quê somar se a gente pode dividir
Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer
Ai de quem não rasga o coração, esse não vai ter perdão
Quem nunca curtiu uma paixão, nunca vai ter nada, não"

Vinícius de Moraes

sábado, 13 de outubro de 2007

Sábado o dia das limpezas...

Agarrar no aspirador e aspirar a casa, pegar num pano, no pronto e limpar o pó, pegar num pano, no limpa vidros e limpar os vidros, pegar nos detergentes e ir lavar as casas de banho…, isto tudo a multiplicar por dois.
E no final da tarde… “olha pega no carro e vai lavá-lo”… agarrar no aspirador e aspirar o carro, pegar em moedas, introduzi-las na máquina, agarrar na mangueira e lavar o carro, pegar num pano, no limpa tablier e limpar o pó, pegar num pano, no limpa vidros e limpar os vidros… E assim foi o meu sábado…(o que vale é que a selecção lá ganhou mesmo sem a esquerda do mister Scolari).

nota: Sou mesmo um rapaz prendado.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

"Scolari é cá dos nossos!"


"Apesar de os muitos milhões gastos pela União Europeia a civilizar-nos, a verdade é que a indisciplina continua a ser a nossa imagem de marca, imagem essa que as nossas selecções de futebol tão bem têm sabido promover e divulgar por todo o mundo e de forma quase sempre original. No México, a selecção fez greve; no Jamor, Sá Pinto deu uma coça no seleccionador; na Coreia, João Pinto agrediu o árbitro; em França, os miúdos escavacaram o balneário; no Canadá, o menino Zequinha sacou o cartão vermelho da mão do árbitro… Só faltava mesmo o nosso seleccionador espetar um selo na testa de um adversário. Mas Scolari fez mais: à boa maneira portuguesa, ainda conseguiu jurar a pés juntos que era mentira aquilo a que toda a gente assistiu em directo. Como na anedota, ele também não lhe tinha tocado nem num cabelo.
Quando Madail foi buscar Scolari para treinar a selecção, após os acontecimentos da Coreia, ainda temi que o presidente da Federação estivesse apostado em destruir este nosso património cultural de povo indisciplinado que nem os romanos conseguiram domesticar. Mas, graças a Deus, Scolari acabou por ser uma lufada de ar fresco na nossa indisciplina e um verdadeiro exemplo a seguir pelas novas gerações. Até porque não estou a ver, nem em Portugal, nem na Europa, treinador capaz de exteriorizar tão bem esta nossa forma indisciplinada de ser português. Alguém está a ver, por exemplo, Carlos Queirós, Artur Jorge ou Humberto Coelho andar à porrada, no final de um jogo, com um jogador adversário?
Madail está, por isso, de parabéns. A FPF, nos últimos vinte anos, tem dado um contributo notável para a modernização da imagem de Portugal. O velho Portugal salazarista dos 3 «efes» (Futebol, Fado e Fátima) cedeu, definitivamente, o lugar ao novo Portugal democrático dos três «is» (Indisciplina, Incoerência e Incompetência)."

in jornal Torrejano, por Santana-Maia Leonardo


Encontrei este artigo de opinião e achei graça e só ai me apercebi disso... o Scolari até não destoa muito na selecção portuguesa, apesar de ter de treinar aquela esquerda...francamente deixa um pouco desejar... e também ficou a faltar o golpe fatal de um gancho de direita... mas pronto, isto é só uma opinião de um amador...

Posso ter cara de muita coisa, mas…


…a verdade é que, tenho cara de GPS. Esta é uma dura realidade, com a qual eu vou ter de me conformar (esta, e com a de o SLB continuar em crise). “E como ele chegou a esta conclusão??” – estarão os caros leitores a pensar neste momento… Cheguei a esta conclusão depois de reparar na enorme quantidade de pessoas estranhas que me pedem indicações… “ah e tal…o caminho para Lisboa??… - oh amigo siga as setas…”
Eu devo ter ar de uma pessoa erudita, que possui numerosos conhecimentos, de quem se pode confiar, inteligente, de pessoa capaz de ajudar a achar o rumo certo nas errantes estradas de Portugal… nada podia fugir mais à verdadeira realidade… eu sou péssimo a dar indicações… entro em stress… começo a preocupar-me…” ai se me engano, onde é que estas pessoas vão parar…” e depois, pensar no melhor caminho e menos confuso de explicar e depois… “ai o trânsito que se vai acumular aqui atrás se eu demoro muito…” e isso tudo junto prejudica o meu discernimento ao dar as indicações correctas a quem pensa que era melhor parar e perguntar “a este moço todo jeitoso, bem apessoado, que vem mesmo aqui a passar…”
Houve uma vez que em dez minutos dei indicações a três desorientados condutores, incluindo a um senhor que tinha um daqueles GPS’s da moda que se colam no pára-brisas através uma ventosa, mas que apesar de lhe ter custado vários euros, não o ajudava a descobrir os bombeiros de Tomar… e a um camionista espanhol (se a portugueses já nah é fácil…). Até na minha curta estadia na Holanda, houve um transeunte que me pediu indicações para um supermercado, o qual eu prontamente tentei ajudar da melhor forma possível (ainda por cima em inglês), mas eu lá indiquei uma rua que me parecia ter aspecto de possuir supermercados… mas duvido que ele tenha achado algum… aberto, era domingo de Páscoa…
Lembro-me também de uma vez, andava eu descansado a passear em Coimbra quando uns senhores num jeep me pediram indicações para a rodoviária, e eu todo contente lá indiquei com muito gosto, da forma mais clara que eu pude…passado cinco minutos encontrei o mesmo jeep um pouco desorientado… a ir no sentido contrário ao que deveria seguir…e eu a tentar-me esconder atrás de um placar de publicidade e a pensar… “pronto, belo serviço que já fizeste…”
Comigo, quem tem boca, corre o risco de ir parar à famosa Vila Nova de Rabona, em vez de ir parar a Roma…

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Pink Floyd - Wish You Were Here


So, so you think you can tell Heaven from Hell, blue skies from pain.
Can you tell a green field from a cold steel rail? A smile from a veil?
Do you think you can tell?

And did they get you trade your heroes for ghosts?
Hot ashes for trees? Hot air for a cool breeze?
Cold comfort for change? And did you exchange a walk on part in the war for a lead role in a cage?
How I wish, how I wish you were here.
We're just two lost souls swimming in a fish bowl, year after year, running over the same old ground.
What have we found?
The same old fears, wish you were here.

Esta deve ser a música que mais vezes já ouvi na radio...

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Armona 2007


Este post foi escrito algures no Alentejo, durante a viagem de regresso a casa, depois de mais umas férias na ilha da Armona, tendo sido este ano o ano da internacionalização, contando com a presença de uma grega e de uma polaca. A Armona 2007, o ano da barata, fica também marcada por uma pequena incursão durante um fim-de-semana na fantástica ilha de Tavira. Como é natural aconteceram uma série de episódios durante este tempo... logo para começar na viagem para o Algarve, que foi feita numa carruagem em que o ar condicionado estava avariado, foi um pequeno luxo que tivemos direito, pelo qual não foi necessário pagar mais por ele, uma viagem em que não só nos deslocávamos como também fazíamos sauna, retirei do corpo muitas impurezas nessas quatro horas, desde já agradeço a essa grande empresa estatal sempre a pensar no bem estar dos clientes, a CP.
Neste ano houve direito a uma noite passada na praia, em que o jantar foi comido através do uso de conchas em vez dos normais garfos e facas, e em que a sobremesa foi bolo de chocolate “estragado”, numa noite em que desceu por mim o espírito de um guerreiro samurai, observamos as constelações, dormimos debaixo das estrelas e da lua cheia que reflectia a sua intensa luz no mar tranquilo da noite…
Este ano também descobrimos uma nova espécie de peixe, um novo peixe-aranha, muito diferente do normal, muito perigoso, que existe em grande quantidade lá prós lados de Tavira, vai sair um artigo sobre este interessante animal na conceituada revista Science.
Mas vai também ficar gravado na memória, todos os momentos que pareceram triviais, a execução das refeições, as idas em grupo até à praia, os jogos de futebol, de volei, de volei no mar, os de râguebi, de cartas… etc, as noites, as festas, os mergulhos, o Sting como vizinho de guarda sol, a noite na ubi & bubi a bombar…e até revi o pica alucinado que tinha encontrado no ano passado… conclusão foi curtir como não houvesse amanhã…só resta esperar que os ventos e marés me permitam estar presente na Armona 2008.

terça-feira, 10 de julho de 2007

Fiquei Triste

O meu belo convento de Cristo não ficou entre as sete maravilhas de Portugal… acho que foi injusto, este belo monumento devia de fazer parte deste conjunto de monumentos, não só pela imensa e importante história que a ele esta associada, mas também e principalmente pela panóplia de estilos artísticos que nele se unem e se fundem numa harmonia espantosa, onde os mestres que por lá passaram, que nas suas épocas, eram dos melhores que havia em Portugal, atribuíram uma enorme qualidade e beleza artística, num local esplêndido…

terça-feira, 3 de julho de 2007

E neste dia...

Boa Sorte / Good Luck
Vanessa Da Mata / Ben Harper

É só isso
Não tem mais jeito
Acabou, boa sorte~

Não tenho o que dizer
São só palavras
E o que eu sinto
Não mudará

Tudo o que quer me dar
É demais
É pesado
Não há paz

Tudo o que quer de mim
Irreais
Expectativas
Desleais

That’s it
There is no way
It over, Good luck

I have nothing left to say
It’s only words
And what l feel
Won’t change

Tudo o que quer me dar / Everything you want to give me
É demais / It too much
É pesado/ It’s heavy
Não há paz / There is no peace

Tudo o que quer de mim / All you want from me
Irreais / Is unreal
Expectativas / Expectations
Desleais

Mesmo, se segure
Quero que se cure
Dessa pessoa
Que o aconselha

Há um desencontro
Veja por esse ponto
Há tantas pessoas especiais

Now even if you hold yourself
I want you to get cured
From this person
Who poisoned you

There is a disconnection
See through this point of view
There are so many special people in the world
So many special people in the world in the world
All you want
All you want

Tudo o que quer me dar / Everything you want to give me
É demais / It too much
É pesado / It's heavy
Não há paz / There is no peace

Tudo o que quer de mim / All you want from me
Irreais/ Is unreal
Expectativas / Expectations
Desleais

Now were Falling into the night
Um bom encontro é de dois

AAAAHHHHHHH!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


Sim estou vivo, ainda existo... o Estranha Forma de Vida não morrerá!!!!

terça-feira, 27 de março de 2007

A televisão que temos…

Soube á pouco tempo que já terminou um dos melhores programas que já passou pela televisão portuguesa, a “Floribella”. É verdade, infelizmente. Parece que foi um final emocionante, como sempre foi esta espécie de telenovela mexicana à portuguesa. Pelo que me contaram parece que algo do género: a Flor casou finalmente com o príncipe, mas depois o príncipe morreu, mas, parece que logo a seguir ressuscitou, e foram felizes para sempre, final bonito…

E por falar em bons programas de televisão parece também que começou um outro programa bem interessante, um novo reality show numa conhecida estação televisiva lá prós lados de Queluz (só podia...), intitulado de “A Bela e o monstr”… ops, peço desculpa “A Bela e o Mestre”. Parece que consiste em juntar uma data de raparigas com um Q.I. inferior a um chimpanzé, mas em contrapartida com bons atributos físicos, com uns tantos cromos mais feios do que um chimpanzé, mas com um Q.I. um bocadinho (pequeno), acima da média da espécie Homo Sapiens Sapiens (nota-se que estas raparigas apesar de tudo se incluem nesta espécie, elas e a Lili Caneças, o Cristiano Ronaldo e o George W. Bush e por isso entram também para a média…). A produção ainda me contactou mas o meu Q.I. mostrou-se superior daquilo que eles desejavam, isto porque recusei o tal aprazível convite.
O objectivo deste programa, ao que me pareceu consiste em fazer com que as “Belas” consigam atingir um Q.I. pelo menos igual a um chimpanzé, isto com a ajuda dos “Mestres”, e os “Mestres” com a ajuda das “Belas” consigam ficar de tal forma atraentes que consigam engatar uma qualquer chimpanzé fêmea… objectivos portanto bastante ambiciosos. Será que os nossos bravos, e bravas, concorrentes conseguem alcançar tais feitos… Vamos esperar para ver……nah,… não me parece que vá ver. Felizmente ainda dá ás quintas-feiras quase de madrugada o Dr. House na TVI, madrugada porque senão, os portugueses ainda viam uma boa série de comedia e não é isso que queremos… ainda ficamos mal habituados a bons programas e isso era mau para a Fátima Lopes, para o Manuel Luís Goucha, entre tantos…
É a televisão “Pimba” que temos…

O porquê deste silêncio????

Como vocês repararam, ou não, fiquei algum tempo sem postar. Devem ter formulado algumas teorias para explicar este facto, mas não, não fui vitima de nenhum envenenamento, que me levasse a ficar com a cara toda inchada e posteriormente á uma morte dolorosa, não sofri de nenhuma doença raríssima que me fizesse ficar tetraplégico, não fui atropelado por nenhuma velhinha ainda mais míope do que eu, e não, não me caiu nenhum piano de cauda em cima da cabeça, felizmente encontro-me muito bem de saúde (pelo menos a física, a mental nah sei bem). Na realidade a razão que me levou estar este tempo todo sem postar foi... não tinha tema para postar, bem ter temas até tinha, mas eram temas que para além de não contribuírem minimamente para o enriquecimento do intelecto dos visitantes deste blog… poderia induzir a todos vós, sentimentos algo deprimentes, e não querendo que isso acontecesse decidi não postar, remetendo-me assim a este silêncio, que com este post termina.

terça-feira, 6 de março de 2007

Porque há dias assim...

Lonely Day

Such a lonely day
And it's mine
The most loneliest day of my life

Such a lonely day
Should be banned
It's a day that I can't stand

The most loneliest day of my life
The most loneliest day of my life

Such a lonely day
Shouldn't exist
It's a day that I'll never miss

Such a lonely day
And it's mine
The most loneliest day of my life

And if you go
I wanna go with you
And if you die
I wanna die with you

Take your hand
And walk away

The most loneliest day of my life
The most loneliest day of my life
The most loneliest day of my life

Such a lonely day
And it's mine
It's a day that I'm glad I survived

System of a Down

É pena é que já começam a ser muitos...

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Eu não acredito em bruxas, mas que elas existem, existem…

Já faz bastante tempo, que anda a rodar pelas rádios e na televisão portuguesas, a música intitulada “Feitiço”, do denominado cantor romântico, André Sardet. Esta cançoneta, que é presença assídua (e irritante) nos tops portugueses de música mais tocada e de discos mais vendidos, está catalogada como sendo uma música romântica, designação, a qual eu não podia considerar mais desacertada. Para demonstrar a minha teoria, coloco em baixo a parte mais importante de uma música, o refrão, o qual eu vos peço para lerem com toda a atenção:

“Eu não sei o que me aconteceu
Foi feitiço!
O que me deu?
Para gostar tanto assim
De alguém como tu…”

Depois de analisar o refrão pode-se chegar à possível descodificação:

Mas que raio me aconteceu, que bicho me mordeu
Deve ter sido bruxedo, de certeza
Onde é que tinha a porra da cabeça? Devo tar doente
Para me ir logo engraçar pela gaja mais feia que já conheci, inda por cima é gorda, chata, cheira mal da boca… se tivesse sido pela Beyoncé, ou a Nicole das pussy cat, isso sim era dum gajo normal…

Posto isto, é de um gajo ficar com pena do Andrézito… coitado, deve sofre bastante, tem de ir à bruxa o rapazito, deve tar com uma camada cobrante… á uns tempos atrás, falaram-me de um bruxedo que servia para uma mulher “agarrar” um homem. Envolvia uma posta de bacalhau, que após ser colocada num certo e determinado local, tinha de ser dada a comer ao homem que se queria “segurar”… será que foi isto que lhe aconteceu???...

Desculpas...

Antes de mais, queria pedir desculpa ás duas ou três pessoas que, ainda, visitam este blog, por esta prolongada ausência de novas postagens. Este acontecimento foi consequência de uma longa semana passada no quarto com os meus convidados, Almeida Garrett, Alexandre Herculano e Antero do Quental, que rambóia… alguns de vós, devem estar a pensar: “pronto foi desta, o gajo tá bom mas é pa ir pró Júlio de Matos, agora anda a ver pessoas mortas”. Eu explico, a semana passada foi para mim uma semana de intenso (ou não) estudo para a cadeira de Cultura Portuguesa I, cujo exame foi na sexta-feira passada, o que me levou a descurar, desta minha responsabilidade para com vossemecês, visitantes assíduos deste jovem blog, de levar até si, conteúdos despojados de qualquer interesse.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Elogio ao Amor.

"Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo. O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria. Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas. Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um minuto de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."
(Miguel Esteves Cardoso - Expresso)

Há uns meses atrás recebi por mail, este texto escrito por Miguel Esteves Cardoso, o qual foi publicado num conhecido semanário. Atendendo ao dia de hoje, dia dos namorados ou dia de São Valentim, dia em que todas as pessoas, querendo ou não, pensam no Amor, mesmo que não estejam enamoradas, achei que era interessante partilhar com os visitantes deste blog, o dito cujo texto. Eu apesar de “não ir muito à bola” com este senhor, tenho de dar o braço a torcer e dizer que na minha opinião, ele até escreve bem (bem, pelo menos melhor do que eu). Quanto a este texto, não vou fazer nenhum comentário, não quero influenciar, deixando, por isso, que cada um tenha a sua própria interpretação, isto porque, cada pessoa teve, até aqui, experiências de vida diferentes, passou por situações distintas, por isso cada um sente este texto de maneira diferente.