segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

U2 - I Still Haven't Found What Im Looking For

I have climbed the highest mountains
I have run through the fields
Only to be with you
Only to be with you

I have run I have crawled
I have scaled
these city walls
these city walls
Only to be with you

But I still haven't found
What I'm looking for
But I still haven't found
What I'm looking for

I have kissed honey lips
Felt the healing in her fingertips
It burned like fire
This burning desire

I have spoke with the tongue of angels
I have held the hand of the devil
It was warm in the night
I was cold as a stone

But I still haven't found
What I'm looking for
But I still haven't found
What I'm looking for

I believe in the Kingdom Come
Then all the colours will
bleed into one
bleed into one
But yes I'm still running

You broke the bonds and you loosed the chains
You carried the cross
And my shame
And my shame
You know I believe it

But I still haven't found
What I'm looking for
But I still haven't found
What I'm looking for

But I still haven't found
What I'm looking for
But I still haven't found
What I'm looking for...

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Musicas de uma noite I

Filarmonica Gil - Deixa-te Ficar na Minha Casa

domingo, 11 de janeiro de 2009

Jorge Palma - Fragil

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Soneto de Amor



Não me peças palavras, nem baladas,
Nem expressões, nem alma… Abre-me o seio,
Deixa cair as pálpebras pesadas,
E entre os seios me apertes sem receio.

Na tua boca sob a minha, ao meio,
Nossas línguas se busquem, desvairadas…
E que os meus flancos nus vibrem no enleio
Das tuas pernas ágeis e delgadas.

E em duas bocas uma língua…, - unidos,
Nós trocaremos beijos e gemidos,
Sentindo o nosso sangue misturar-se.

Depois… - abre os teus olhos, minha amada!
Enterra-os bem nos meus; não digas nada…

Deixa a Vida exprimir-se sem disfarce!

José Régio

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Sting - Englishman In New York

Porque por vezes nos sentimos assim...

domingo, 14 de dezembro de 2008

Estado da Situação II...


Olá caros amigos, leitores e visitantes. Sei que nos últimos tempos tenho andando meio (totalmente) ausente, e a modos que negligenciei-me a respeito do “Estranha Forma de Vida”. Algumas das razões já foram referidas num post anterior, e outros motivos foram surgindo… Surgiram situações que me fizeram e ainda me fazem pensar muito em certos níveis da minha vida (o meu lado mais racional sempre presente por vezes uma presença demasiado constante)… Mas no cômputo geral estou bem e feliz. Tenho nos últimos tempos encontrado o meu equilíbrio, a minha estabilidade, finalmente. Sinto-me cada vez mais forte e com um outro ânimo uma outra coragem para olhar e seguir em frente, e sinto-me mais livre mais leve.
De resto o trabalho aqui no Crato esta quase a terminar. Encontramo-nos agora a trabalhar no topo do mosteiro da Flor da Rosa a cerca de 30 metros de altura mesmo pertinho das nossas vizinhas cegonhas, que têm o ninho no campário do mosteiro.
De lá de cima têm-se a melhor vista de toda a região e eu todos os dias tento tirar o maior partido desse privilégio…


ps: este pôr do sol já é o do Crato...

sábado, 13 de dezembro de 2008

Chove!...

Chove…

Mas isso que importa!,
se estou aqui abrigado nesta porta
a ouvir a chuva que cai do céu
uma melodia de silêncio
que ninguém mais ouve
senão eu?

Chove…

Mas é do destino
de quem ama
ouvir um violino
até na lama.

José Gomes Ferreira

sábado, 1 de novembro de 2008

Pink Floyd - Wish You Were Here

A caminho de casa ouvi na rádio esta música...se calhar não foi só coincidência...baci

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Estado da Situação...

Sinto-me cansado, mas um cansaço diferente do eu sentia há uns tempos atrás, as 10h diárias que o trabalho me rouba, faz com que pouco mais consiga fazer que comer, ver o mail, responder a sms's que recebi durante o dia e que ficaram sem resposta, ver uns 5 minutos do telejornal, cozinhar, lavar a loiça e dormir... isto faz com que fique sem tempo para mim, para ler para escrever aqui no blog, ver um filme, dar uma volta para espairecer a cabeça e para admirar a arquitectura aqui do Crato olhar para as chaminés das casas para as janelas...enfim... em vez disso estou 10h a olhar para a parede e a falar baixinho com a pedras que estão à minha frente, às quais já contei muitos dos meus segredos... Sinto-me triste... e nem sei bem porquê... ou então sei...
O que vale é que tenho o prazer e a sorte de ver todos os dias o mais belo nascer e pôr do sol que existe, o sol e o céu aqui no Crato têm uma luminosidade diferente do que até agora já tinha visto, todos só dias fico esmagado pela beleza das cores com que o céu se enche... Sempre dá para aquecer e colorir este meu coração que tantas vezes anda cinzento...

ps: foi muito bom escrever este pequeno post, fez-me sentir um pouco mais vivo do que me tenho sentido.

ps2: esta foto não é do nascer do sol do Crato, mas prometo que um dia deste coloco aqui uma foto de um nascer do sol e de um pôr do sol do Crato para vocês verem :)

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Caetono Veloso - Sozinho

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Dia 14 de Outubro dia de azar...

Eu parti a lente do olho direito, mais 300€ ao ar, ou neste caso espalhados no chão... Passados dois anos anos sem me constipar ou ficar doente, hoje estou com febre e a garganta inflamada...

A Anabela foi atingida no olho direito, por um girá sol de plástico voador e anda com olho tudo vermelho...

A Sandra fez um risco profundo no carro e também esta a começar a ficar doente.

A Marta teve de ir ao centro de saúde do Crato e depois para o hospital de Portalegre e depois para o hospital de Évora por causa de uma areia no olho...



Conclusão:

Um dia para esquecer, pior era se para além disto tudo o Benfica tivesse jogado e perdido...

Mas pronto, o positivo do dia foi o cumprimento do objectivo ao qual nos tínhamos proposto à uma semana...

Insatisfação...

Ter a consciência que se tem muita sorte, por ter muita coisa boa na vida, mas sentir a falta de algo para nos completar, para que a nossa felicidade seja plena, e saber que nunca se há-de ser feliz por causa da ausência desse "algo"...

sábado, 11 de outubro de 2008

Pergunta #1


O que fazer quando se tem a noção que nunca se há-de ser totalmente feliz???

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Início de uma nova colecção

Iniciei uma nova colecção de livros... Essa grande e importante colecção dos livros de recibos verdes...
O volume nº1 foi adquirido hoje

domingo, 5 de outubro de 2008

As Flores Murcham Com a Sua Ausência...


Entre obras...

Ainda há pouco tempo andava a apreciar a fantástica vista da serra d'Aire, a partir dos Vargos...

...e agora vou para o Alentejo, para o Crato, que pelo o que parece é mais um sitio lindíssimo...

sábado, 4 de outubro de 2008

A minha vida dava um filme etiope...

Quando por vezes digo que se passam situações na minha vida que dificilmente acontece com mais ninguém, as pessoas não levam a sério. Muitas destas situações eu deixo passar em claro e nunca as comento com ninguém. Mas o que se passou hoje de manhã, merece ser divulgado, para que os caros leitores vejam o tipo de situação que me pode ocorrer a qualquer hora, a qualquer momento e em qualquer lugar.

Portanto, hoje cerca das 11h quando andava a resolver uns assuntos urgentes, quando estava absorvido pelos meus pensamentos e a ouvir a minha música, sou abordado no meio da cidade por um indivíduo:
-Olá bom dia desculpa mas sabes onde posso dar uma queca???
E eu que pensava que tinha ouvido mal e não podia acreditar no que tinha percebido disse:
-Ahhh?? Desculpe??
-Se sabes de casas de gajas??
E, eu ainda meio atordoado e perplexo respondi:
-Não. Desculpe.
-Ok, bom dia. – E o senhor seguiu caminho ao encontro do seu almejado objectivo.

Infelizmente para o senhor que me abordou, eu só tenho conhecimento dessas casas onde se prestam esse tipo de serviços, quando lhes arrebentam bombas à porta, e depois pelo que sei essas senhoras nunca mais voltam para o mesmo sítio, obviamente.

Eu depois fiquei a pensar. Mas porquê?? Porque é que aquele individuo tinha de vir pedir indicações para, pronto, para o que pretendia… logo a mim.
Primeiro ainda pensei, ok é uma confirmação mais uma vez da veracidade do post que publiquei no dia 11 de Outubro de 2007…
Mas depois continuei a pensar. Hum… Ou será que tenho cara de saber onde ficam essas casas???

terça-feira, 30 de setembro de 2008

UNIÃO IBÉRICA

Sugiro também uma visita ao blog do Saramago: http://caderno.josesaramago.org/

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Agradecimento...



Há quem tenha a sorte de ter uma segunda oportunidade... eu tive a terceira. A todos aqueles que me ajudaram a agarra-la muito obrigado.

"(...)A todos os meus amigos, que felizmente são inúmeros, pela força, apoio e amizade que sempre me têm dado ao longo destes anos, especialmente aos “mosqueteiros” e às “texugas”, que ao longo do curso foram incansáveis como amigos e sempre me souberam puxar para cima nas alturas difíceis, e que felizmente teimam em não desistir de mim, e que fazem, com que a expressão “friends forever”, faça sentido.(...)"

"(...)E por último, e não menos importante, muito pelo contrario, à G.A.I.T.A. e a todos os seus elementos, Maria Jorge, Rita Ferreira, Sandra Pimenta, Sílvia Danese, Vera Caetano e Vítor Veloso, que mais do colegas de estágio foram, e serão, sempre amigos e que em conjunto conseguimos fazer com que fosse cumprido o lema: “G.A.I.T.A. unida jamais será… VENCIDA”. (...)
Exerctos dos agradecimentos do relatório de estágio...

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Mutação...

O Estranha Forma de Vida sofreu uma mutação...
O Estranha Forma de Vida apresenta-se agora mais sóbrio, mais simples e mais bonito (na minha humilde opinião). Para além disso apresenta-se também mais ecológico, amigo do ambiente, devido a ter como sua cor principal o preto, que faz com que se reduza o consumo de energia poupando assim os recursos energéticos... Espero que gostem da mudança, e se possível desfrutem dele...

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

R.E.M. - Everybody Hurts

keywords:
hang on
hold on
you're not alone...

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

A vida tem destas coisas…

Como alguns de vós sabeis, encontro-me numa fase menos feliz… mas foi pelo correio que chegou hoje o meu sorriso, foi uma enorme surpresa, não estava mesmo à espera, mas felizmente numa altura em que preciso de alguma alegria, tive esta inesperada “prenda”… obrigado Sílvia.

Estou

Estou tonto,
Tonto de tanto dormir ou de tanto pensar,
Ou de ambas as coisas.
O que sei é que estou tonto
E não sei bem se me devo levantar da cadeira
Ou como me levantar dela.
Fiquemos nisto: estou tonto.

Afinal
Que vida fiz eu da vida?
Nada.
Tudo interstícios,
Tudo aproximações,
Tudo função do irregular e do absurdo,
Tudo nada.
É por isso que estou tonto ...

Agora
Todas as manhãs me levanto
Tonto ...

Sim, verdadeiramente tonto...
Sem saber em mim e meu nome,
Sem saber onde estou,
Sem saber o que fui,
Sem saber nada.

Mas se isto é assim, é assim.
Deixo-me estar na cadeira,
Estou tonto.
Bem, estou tonto.
Fico sentado
E tonto,
Sim, tonto,
Tonto...
Tonto.

Álvaro de campos

sábado, 6 de setembro de 2008

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Cansado...

... tão cansado que por vezes até me custa respirar e dou por mim a pensar se valerá a pena continuar...

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Portishead - Roads

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Morri... outra vez...

E foi este o individuo que me matou...

domingo, 24 de agosto de 2008

Pequim 2008

E pronto acabaram hoje os jogos olímpicos Pequim 2008.
Foram uns “bonitos” jogos olímpicos… tudo perfeitinho, as cerimónias (com fogos de artifício virtuais, a menina bonita a cantar em playback com a voz da menina que tinha os dentes tortos), os locais onde os jornalistas podiam ir… foram uns jogos quase perfeitos, para serem perfeitos perfeitos só se os chineses também conseguissem disfarçar a enorme poluição de Pequim, que nem as medidas tomadas há uns meses conseguiram atenuar. E pronto no final o mundo fica com a ideia de que a China é quase como o paraíso, superficialmente falando… Quase que dá para esquecer a falta de liberdade de expressão, os vergonhosos orfanatos chineses, as violações dos direitos humanos, a questão do Tibete, etc… Enfim…
Quanto ao nível desportivo, Portugal no final até teve um resultado positivo, é de assinalar que foi a melhor participação até ao momento, até porque Portugal esteve representado pela primeira vez em diversas modalidades. A participação portuguesa fica um pouco manchada devido a algumas declarações por parte de alguns atletas, declarações infelizes essas que de certeza que todos vós já conhecem, mas pronto acho que não se deve bater mais no ceguinho… até porque acredito que todos os atletas deram o seu máximo (e não foram simplesmente passar umas férias), porque todas as pessoas sabem que ser atleta em Portugal não é fácil, tirando alguns jogadores de futebol e mais uma meia dúzia de outros atletas, todos os outros fazem um grande esforço para competir, por causa de falta de apoios, por falta de condições, mas assim, com estas declarações e estas desculpas, também não ajudam a que isto mude…
No final Portugal conseguiu uma medalha de prata no triatlo feminino com o segundo lugar da Vanessa Fernandes e uma medalha de ouro no triplo salto com o Nelson Évora.
Se Portugal conseguiu duas medalhas, já o meu Benfica conseguiu três medalhas, duas de ouro e uma prata. Portanto o Benfica com menos atletas do que Portugal conseguiu uma prestação melhor… mais uma vez a qualidade é sempre o que conta…

sábado, 23 de agosto de 2008

Insónia...

Nestas últimas noites tenho tido uma grande dificuldade em adormecer passo 3 a 4 horas a rebolar de um lado, pro outro da cama (e como ela é bastante grande tenho para onde rebolar).
A minha mente é invadida por uma imensidão de pensamentos. Pensamentos estes, muito diversos, desde coisas do passado, o meu presente atribulado, até ao meu (incerto) futuro... Na maioria das vezes, isto tudo se mistura e fica uma enorme confusão, da qual tento estabelecer ligações de lógica, mas chego à conclusão que existe muito pouca lógica cá por estes lados... Eu sou demasiado confuso mesmo para mim, como é que não devia ser para os outros, nem eu me percebo bem, como é que as outras pessoas me haviam de perceber... Enfim sou eu... São coisas à costinha... A maioria de vocês já estão habituados...
E pronto, vou até ali tentar dormir, mas adivinho mais uma entrada tardia no confortável universo dos sonhos...

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Sou...

…uma pessoa passageira na vida dos outros. Sempre me senti assim, mas só hoje é que admiti isso. Até hoje nunca tinha pensado bem nisso, acho que não queria aceita-lo, mas hoje a meio do dia o meu pensamento levou-me a reflectir de uma maneira geral sobre a minha vida e sobre as pessoas que tenho conhecido e sobre a maneira como me sentia… e cheguei a essa conclusão, sou uma figura efémera na vida das outras pessoas. Sou como estas pegadas do areal de uma praia, com o tempo as suas marcas desaparecem... Isso é tão real e verdadeiro como o meu respirar agora.
E a culpa disto acontecer é minha…

domingo, 17 de agosto de 2008

sábado, 16 de agosto de 2008

Há Tanto Tempo...

...que já não fazia o que acabei de fazer.
Há mais de 2 anos que já não o fazia.
Não sei o que estão a pensar, mas não deve ser isso de certeza...
Acabei de passar com a gillette pela minha face inteira, fiz a barba por completo... Quem tem convivido comigo nestes últimos anos sabe que a presença de barba na minha face já é a minha imagem de marca e hoje tenho a cara como o rabinho de um bebé...
Não sei o que este facto significa, não sei se pode ser algum sinal, nem sei se é relevante para alguma coisa (até porque que daqui a uma semana espero voltar ao meu look habitual), mas quis partilhar isto com vocês, sabendo que isto também não os vai fazer mais felizes nem mais infelizes (exceptuando talvez algumas fãs)...

Coming Soon - Save Miguel!!!

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Modo de Pânico Foi Accionado!!!!!!

OS ALARMES COMEÇARAM A SOAR... existe pânico por estes lados...



segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Modo de Laboração Ligado...


É por isso que ando e vou continuar um pouco ausente...lá pra Setembro este blog vai ganhar uma nova força...assim o espero...até lá boas férias para quem esta de férias e bom trabalho a quem esta a trabalhar...entretanto vou continuar, sempre que necessário, a exprimir-me aqui...

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Não desistas,LUTA!!!

Esse grande lema que me tem vindo a acompanhar há já alguns anos, mas que nem sempre o cumpri...

terça-feira, 29 de julho de 2008

Voltei...

Voltei mais animado e com mais força. Obrigado a todos que partilharam estes dias comigo.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Fui Com o Ventoooooooo!!!!!

Para a semana estou de volta...

sábado, 19 de julho de 2008

Tabacaria

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei-de pensar?

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Génio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho genios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicómios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora génios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistámos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordámos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.

(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)

Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, para o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.

(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei que moderno - não concebo bem o quê -
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)

Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente

Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.

Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, e os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,

Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.

Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?),
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.

Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.

Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando,

(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheco-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.

Álvaro de Campos

terça-feira, 15 de julho de 2008

A Gaiola Está Vazia...


VOLTA PENAS!!!!!!!

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Sodade

Cesária Évora - Sodade

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Chateado com a Vida...


domingo, 29 de junho de 2008

Textos não editados II

Este texto foi escrito no dia 17 de Dezembro de 2007, ficou guardado numa pasta meio perdida no meu pc até hoje. Não sei muito bem porque não o editei logo, talvez andasse à procura das respostas que faço nele… mas não cheguei ainda a respostas conclusivas… conto com a vossa ajuda para as achar…



Pensamentos vagos #1

Como é que sabemos que estamos concretizados? Que nos cumprimos? O Homem é insatisfeito por natureza, necessita de um objectivo, de uma meta, para alcançar.
Ontem perguntaram-me: “Qual é o objectivo da nossa existência?”. Se me tivessem perguntado, porquê é que existimos? Sempre lhe podia explicar a teoria de Oparin e a experiência de Stanley Miller, juntamente com a teoria da evolução de Darwin, mas não, perguntaram-me “qual é o objectivo da nossa existência?”
Estávamos numa esplanada, e mesmo ao nosso lado estavam um casal de franceses com os seus quatro filhos, e eu respondi indicando para a mesa ao lado, “Amar, ter filhos e viajar pelo mundo…”. Mas no mundo inteiro quem pode ter isto tudo?? Uma muito pequena parte. E se não tivermos isto, será que faz de nós uns infelizes ou uns fracassados? Será que aquele casal era feliz? Será que eu seria feliz assim? Será que o meu amigo seria feliz assim? Quando é que sabemos que somos totalmente felizes? Ou será que nunca seremos? E como é que sabemos que, um determinado momento é o momento mais feliz da nossa vida? Será que alguma vez teremos essa noção? E como é que vamos lidar com isso, sabendo que no futuro, não vamos ser mais felizes do que naquele momento? Valerá depois continuar neste mundo sabendo que o que vem no futuro irá ser uma decepção, irá saber a pouco? Ou o melhor é continuar para relembrar esse momento vezes sem conta?

sábado, 28 de junho de 2008

A música oficial deste blog...

Margarida Pinto - ''Estranha forma de vida''

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Ciao, a tra poco...

Despedida, s. f. (de despedida). Acção de despedir ou despedir-se; expressões corteses ou saudosas com que nos despedimos de alguém; saída, partida. Termo, acabamento, conclusão, fim.

Partida, s. f. Acto de partir, de sair de um lugar para outro, ir embora, de iniciar uma jornada, de começar uma viagem.

Mas também existe no dicionário a palavra:

Regresso, s. m. (do lat. Regressu-). Acto de regressar. Volta; acção de tornar ao ponto de partida. Retrocesso.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

In this night...

I walk alone in the streets of this city, with my music...

terça-feira, 10 de junho de 2008

O Amor

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pr'a saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...

Fernando Pessoa

quinta-feira, 29 de maio de 2008

O que há em mim é sobretudo cansaço...

O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A sutileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas
Essas e o que falta nelas eternamente;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimno, íssimo, íssimo,
Cansaço...

Álvaro de Campos

domingo, 25 de maio de 2008

Mudança...

"Pensando bem em tudo o que a gente vê e vivencia e ouve e pensa, não existe uma pessoa certa pra gente. Existe uma pessoa que se você for parar pra pensar é, na verdade, a pessoa errada. Porque a pessoa certa faz tudo certinho!Chega na hora certa, fala as coisas certas, faz as coisas certas, mas nem sempre a gente tá precisando das coisas certas. Aí é a hora de procurar a pessoa errada. A pessoa errada te faz perder a cabeça, perder a hora, morrer de amor... A pessoa errada vai ficar um dia sem te procurar que é pra na hora que vocês se encontrarem a entrega ser muito mais verdadeira. A pessoa errada, é na verdade, aquilo que a gente chama de pessoa certa. Essa pessoa vai te fazer chorar, mas uma hora depois vai estar enxugando suas lágrimas. Essa pessoa vai tirar seu sono. Essa pessoa talvez te magoe e depois te enche de mimos pedindo seu perdão. Essa pessoa pode não estar 100% do tempo ao seu lado, mas vai estar 100% da vida dela esperando você. Vai estar o tempo todo pensando em você. A pessoa errada tem que aparecer pra todo mundo, porque a vida não é certa. Nada aqui é certo! O que é certo mesmo, é que temos que viver cada momento, cada segundo, amando, sorrindo, chorando, emocionando, pensando, agindo, querendo, conseguindo... E só assim, é possível chegar aquele momento do dia em que a gente diz: "Graças à Deus deu tudo certo "Quando na verdade, tudo o que Ele quer é que a gente encontre a pessoa errada pra que as coisas comecem a realmente funcionar direito pra gente..."

Luìs Fernando Veríssimo

segunda-feira, 12 de maio de 2008

O Adeus de Rui Costa.

Era um jogo que nunca poderia perder. O último jogo do “Maestro” Rui Costa. É o jogador que eu mais admirava, não só pela forma de jogar mas também como pessoa e como é óbvio como Benfiquista. Foi lindo ver um estádio inteiro a aplaudir de pé um grande jogador, que merecia um final de carreira bem melhor… Para além disso faltou o último golinho… Foi pena…
Obrigado Rui!!!

domingo, 11 de maio de 2008

10 de Maio.

U-clic - Robot'nRoll

Grande dia, foi muito bom.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

opus - life is live 1985

Nanananana
Nanananana (all together now)
Nanananana
Nanananana

Life (nanananana)
Life is life (nanananana)
Labadab dab dab life (nanananana)
Liiiiiiiife (nanananana)

When we all give the power
We all give the best
Every minute of an hour
Don't think about the rest
And you all get the power
You all get the best
When everyone gets everything
And every song everybody sings

And it's life (nanananana)
Life is life (nanananana)
Life is life (nanananana)
Labadab dab dab life (nanananana)

Life is life when we all feel the power
Life is life come on, stand up and dance
Life is life when the feeling of the people
Life is life is the feeling of the band

When we all give the power
We all give the best
Every minute of an hour
Don't think about the rest
Then you all get the power
You all get the best
When everyone gives everything
And every song everybody sings

And it's life (nanananana)
Life is life (nanananana)
Labadab dab dab life (nanananana)
Life is life (nanananana)

Life (nanananana)
(nanananana)
(nanananana)
(nanananana)

Life (nanananana)
Life is life (nanananana)
Labadab dab dab life (nanananana)
Live is life (nanananana)

And you call when it's over
You call it should last
Every minute of the future
Is a memory of the past
Cause we all gave the power
We all gave the best
And everyone gave everything
And every song everybody sang

Life is life


Acordei e passei o dia todo com esta música na cabeça.
Ontem foi uma noite fantástica. Foi uma noite passada com velhos e novos amigos...

sábado, 19 de abril de 2008

Abril Águas Mil!!!


Farta-se de chover e de fazer frio lá fora, e eu que preciso tanto de um belo e quente SOL… Ainda por cima temo bem que me esteja a nascer uma borbulha mesmo na ponta do nariz…

Ah este foi o meu 50º post...

sexta-feira, 18 de abril de 2008

On!!!

Esqueci-me de avisar que estou "on" desde de segunda...

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Wordsong - Opiário

Ando expiando um crime numa mala
que um avô meu cometeu por requinte
Tenho os nervos na forca vinte a vinte
E caí no ópio como numa vala
A vida a bordo é uma coisa triste
Embora a gente se divirta ás vezes
Falo com alemães suecos e ingleses
E a minha mágoa de viver persiste
Eu acho que não vale a pena ter
ido ao Oriente e visto a Índia e a China
a terra é semelhante e pequenina
e há só uma maneira de viver
há só uma

Por isso eu tomo ópio
eu tomo ópio
é um remédio

Por isso eu tomo ópio eu tomo ópio
é um remédio

um dia faço (um) escândalo cá a bordo
só para dar que falar de mim aos (de)mais
não posso com a vida e acho fatais
as (g)iras com que ás vezes me debordo
Levo o dia a fumar a beber coisas
Drogas americanas que entontecem
E eu já tão bêbado sem nada
Dessem melhor cérebro aos meus nervos como rosas
escrevo estas linhas
parece impossível que mesmo ao ter talento eu malo sinta
o facto é que esta vida é uma
quinta onde se aborrece uma alma sensível
pertenço a m género de portugueses que depois de estar a Índia descoberta
ficaram sem trabalho.

Por isso eu tomo ópio
eu tomo ópio
é um remédio

Porque isto acaba mal e há-de haver
Olá sangue e um revólver lá para o fim
Deste desassossego que há em mim
e não há forma de se resolver
moro no Rés do chão do pensamento
E ver passar a vida faz-me tédio
Para que fui visitar a Índia que há se não
Há Índia senão a alma em mim
Há Índia senão a alma em mim
fumo...

sábado, 12 de abril de 2008

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Textos não editados I

Ao longo da existência deste blog tenho escrito vários textos que por vários motivos, não os tenho publicado. Decidi publicá-los, porque se foram criados para serem depositados aqui no Estranha Forma de Vida, é aqui que devem depostos e não perdidos na pasta dos meus documentos. E aqui fica o primeiro texto que foi escrito no dia 24 de Fevereiro de 2007.

Hoje o dia nasceu cinzento…

Hoje acordei triste. Levantei-me, abri a persiana e a janela do meu quarto na esperança de encontrar lá fora um dia radioso alegre, que me pudesse aquecer a face, a alma, o coração, mas não, também ele se apresentou hoje cinzento, frio, triste. Hoje não ouvi os pássaros, hoje não vi o céu azul, hoje o meu quarto não foi inundado pelos raios luminosos, quentes, reconfortantes dum sol resplandecente. Eu habito na fronteira entre a cidade e o campo, dum lado tenho prédios e do outro tenho pinheiros, uma mata e quando o céu exibe o azul vivo, a junção deste com o verde da mata… faz-me sentir bem, mas hoje não…
Estou triste. Porquê??? Não sei. Não sei!!??? É claro que sei, só não quero é admitir as razões. Apetece-me gritar, apetece-me chorar, apetece-me espancar, apetece-me ser espancado, apetece-me fugir, apetece-me ficar, apetece-me esconder, apetece-me ser encontrado. Tenho frio. Quero calor. Onde é que o posso encontrar?? Lá fora não, o dia está frio, há vento, está a chover, lá fora... Tudo isto, aliado ás árvores ainda despidas, dá um cenário triste a esta triste manha.
Continuo triste. Porquê tanta tristeza? Não sei. É claro que sei, só não quero é aceitar as causas. Não consigo encontrar razões para me animar.
O melhor é ir correr e ouvir música, pode ser que me esqueça dos motivos desta tristeza.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Dia 21 de Março.

Ser Poeta

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

Florbela Espanca

Hoje é o dia Mundial da Floresta, da Árvore, dia Mundial da Poesia, dia Universal do Teatro, hoje começa a Primavera...

Acordar Cedo.

Isto de levantar cedo, até que não é mau de todo. Ontem acordei quase de madrugada, ás 9h, deu para arrumar o meu quarto, que estava a modos que, quase de pernas pró ar, ainda fiz o almoço, e tive a tarde toda para ir dar umas voltas que necessitava de dar e apanhar na face o belo do sol quentinho que estava.
Hoje também acordei cedinho, fui até um sitio que já não ia à já algum tempo, o mercado. Ahhhh que saudades daquele aroma característico, daquela gritaria toda, “É A CINCO EUROOOSSS”…
Pode até não fazer crescer nem dar saúde, mas uma pessoa até fica bem mais disposta principalmente quando existe este sol que tem estado, para nos aquecer a alma…

quarta-feira, 12 de março de 2008

QUERO É VIVER

Vou viver
até quando eu não sei
que me importa o que serei
quero é viver

Amanhã, espero sempre um amanhã
e acredito que será
mais um prazer

e a vida é sempre uma curiosidade
que me desperta com a idade
interessa-me o que está para vir
a vida em mim é sempre uma certeza
que nasce da minha riqueza
do meu prazer em descobrir

encontrar, renovar, vou fugir ou repetir

vou viver,
até quando, eu não sei
que me importa o que serei
quero é viver
amanhã, espero sempre um amanhã
eacredito que será mais um prazer

a vida é sempre uma curiosidade
que me desperta com idade
interessa-me o que está para vir
a vida, em mim é sempre uma certeza
que nasce da minha riqueza
do meu prazer em descobrir

encontrar, renovar vou fugir ou repetir

vou viver
até quando eu não sei
que me importa o que serei
quero é viver,
amanhã, espero sempre um amanhã
e acredito que será mais um prazer

Humanos

terça-feira, 11 de março de 2008

Estado




Cansado,
descontente,
desapontado,
triste,
desiludido,
esgotado,
insatisfeito,
amargurado,
decepcionado,
infeliz,
consumido,
descrente…

quarta-feira, 5 de março de 2008

Apontamento

A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada descuidada.
Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso.


Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir.

Fiz barulho na queda como um vaso que se partia.
Os deuses que há debruçam-se do parapeito da escada.
E fitam os cacos que a criada deles fez de mim.

Não se zanguem com ela.
São tolerantes com ela.
O que era eu um vaso vazio?

Olham os cacos absurdamente conscientes,
Mas conscientes de si mesmos, não conscientes deles.

Olham e sorriem.
Sorriem tolerantes à criada involuntária.

Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas.
Um caco brilha, virado do exterior lustroso, entre os astros.
A minha obra? A minha alma principal? A minha vida?
Um caco.
E os deuses olham-o especialmente, pois não sabem por que ficou ali.

Álvaro de Campos

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

PARABÉNS BENFICA!!!

Hoje, dia 28 de Fevereiro o meu clube do coração comemora o 104º aniversário. Apesar de não estar a passar uma boa fase, acho que este momento devia ser referido aqui neste blog. Só me falta esfregar ás mãos e esperar que no proximo ano, quando comemorar o 105º aniversário, haja também outras razões para comemorar...FORÇA BENFICA!!!


ps: Hoje também é o dia do meu aniversário, por isso parabéns para mim também...

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

"Esta coisa de gostar de alguém"

"Esta coisa de gostar de alguém não é para todos e, por vezes – em mais casos do que se possa imaginar – existem pessoas que pura e simplesmente não conseguem gostar de ninguém. Esperem lá, não é que não queiram – querem! – mas quando gostam – e podem gostar muito – há sempre qualquer coisa que os impede. Ou porque a estrada está cortada para obras de pavimentação. Ou porque sofremos de diabetes e não podemos abusar dos açucares. Ou porque sim e não falamos mais nisto. Há muita gente que não pode comer crustáceos, verdade? E porquê? Não faço ideia, mas o médico diz que não podemos porque nascemos assim e nós, resignados, ao aproximar-se o empregado de mesa com meio quilo de gambas que faz favor, vamos dizendo: “Nem pensar, leve isso daqui que me irrita a pele”.


Ora, por vezes, o simples facto de gostarmos de alguém pode provocar-nos uma alergia semelhante. E nós, sabendo-o, mandamos para trás quando estávamos mortinhos por ir em frente. Não vamos.. E muitas das vezes, sabendo deste nosso problema, escolhemos para nós aquilo que sabemos que, invariavelmente, iremos recusar. Daí existirem aquelas pessoas que insistem em afirmar que só se apaixonam pelas pessoas erradas. Mentira. Pensar dessa forma é que é errado, porque o certo é perceber que se nós escolhemos aquela pessoa foi porque já sabíamos que não íamos a lado nenhum e que – aqui entre nós – é até um alívio não dar em nada porque ia ser uma chatice e estava-se mesmo a ver que ia dar nisto. E deu. Do mesmo modo que no final de 10 anos de relacionamento, ou cinco, ou três, há o hábito generalizado de dizermos que aquela pessoa com quem nós nos casámos já não é a mesma pessoa, quando por mais que nos custe, é igualzinha. O que mudou – e o professor Júlio Machado Vaz que se cuide – foram as expectativas que nós criamos em relação a ela. Impressionados?



Pois bem, se me permitem, vou arregaçar as mangas. O que é díficil – dizem – é saber quando gostam de nós. E, quando afirmam isto, bebo logo dois dry martinis para a tosse. Saber quando gostam de nós? Mas com mil raios, isso é o mais fácil porque quando se gosta de alguém não há desculpas nem “ ai que amanhã não dá porque tenho muito trabalho”, nem “ ai que hoje era bom mas tenho outra coisa combinada” nem “ ai que não vi a tua chamada não atendida”.



Quando se gosta de alguém – mas a sério, que é disto que falamos – não há nada mais importante do que essa outra pessoa. E sendo assim, não há sms que não se receba porque possivelmente não vimos, porque se calhar estava a passar num sítio sem rede, porque a minha amiga não me deu o recado, porque não percebi que querias estar comigo, porque recebi as flores mas pensava não serem para mim, porque não estava em casa quando tocaste.



Quando se gosta de alguém temos sempre rede, nunca falha a bateria, nunca nada nos impede de nos vermos e nem de nos encontrarmos no meio de uma multidão de gente. Quando se gosta de alguém não respondemos a uma mensagem só no final do dia, não temos acidentes de carro, nem nunca os nossos pais se sentiram mal a ponto de nos impossibilitarem o nosso encontro. Quando se gosta de alguém, ouvimos sempre o telefone, a campaínha da porta, lemos sempre a mensagem que nos deixaram no vidro embaciado do carro desse Inverno rigoroso. Quando se gosta de alguém – e estou a escrever para os que gostam - vamos para o local do acidente com a carta amigável, vamos ter com ela ao corredor do hospital ver como estão os pais, chamamos os bombeiros para abrirem a porta, mas nada, nada nos impede de estar juntos, porque nada nem ninguém é mais importante, do que nós."



De Fernando Alvim in http://esperobemquenao.blogspot.com/

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Devaneios...

Hoje gostava de escrever um poema.
(...)

Gostava de nesta noite poder ser poeta, ter a sensibilidade de um trovador, o domínio sobre as rimas e as métricas, para poder exprimir tudo o que sinto, (...).
Gostava mas sou incapaz de alcançar tal coisa. E sou demasiado honesto para escrever um poema, sobre os sentimentos e as sensibilidades, de uma outra pessoa.
Gostava que essas palavras fossem minhas, nesse poema. Mas não. Não sou poeta nem posso aspirar a tal condição. Por isso tenho de me conformar com essa realidade e escrever sempre que tiver coragem, singelas mas sinceras palavras, (...)


ps: este texto esteve por breves momentos, algumas horas, completo. Não se encontra por agora completo porque sofreu os efeitos do lápis azul do autor deste blog, autor esse que umas horas antes o escreveu e o editou aqui... talvez um dia o mostre, completo, à pessoa para quem era, sim talvez um dia...

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Ansiedade Social...

"O Distúrbio de Ansiedade Social, também conhecido por “Fobia Social”, é um distúrbio muito frequente que afecta até 7% da população (dados dos EUA) mas que até há alguns anos era mal compreendido e negligenciado. O que em parte pode ser explicado pelo facto de as pessoas que sofrem deste problema, o tentarem ocultar e sofrerem normalmente em silêncio.
É um distúrbio que pode ser extremamente perturbador e impedir uma vida normal, a nível pessoal, académico e profissional.

A Ansiedade Social surge normalmente pela primeira vez entre os 15 e os 30 anos e os sintomas manifestam-se pela ansiedade, medo e até pânico, de estar em situações sociais, de ser julgado e avaliado negativamente por outras pessoas, de ser o centro das atenções, de ser observado, de ficar numa situação humilhante face a outros, parecer ridículo, tolo, desajeitado, de não estar à altura da situação.
A ansiedade causada por estas situações pode ser tão forte que leva ao seu evitamento, e em casos extremos a pessoa pode inclusivamente recusar-se a sair de casa.

Existe uma forma específica de ansiedade social que se manifesta apenas em situações em que é necessário falar em público, como fazer uma apresentação de um trabalho numa sala de aula ou falar numa palestra. No entanto, a forma mais comum é a ansiedade social generalizada, em que a ansiedade surge em quase todas as situações sociais.

A Ansiedade Social é muito pouco conhecida pela população em geral, que muito facilmente a confunde com timidez ou uma mania. Muito frequentemente nem o próprio compreende bem o que se passa consigo.
Todas as pessoas sentem ansiedade numa ou noutra circunstância, e isso é normal, é uma reacção que faz parte do nosso funcionamento, sendo normalmente benéfica.
No entanto, em certas pessoas, a ansiedade sentida em situações sociais é tão alta, que as impede de funcionar normalmente e as leva ao evitamento dessas situações. Nestes casos existe um Distúrbio de Ansiedade Social.

A maior parte das pessoas que sofre com este problema, nunca chega a ser devidamente diagnosticada e não é tratada. Muitas recorrem ao álcool como forma de diminuir as dificuldades, no entanto, para além dos problemas relativos ao álcool em si, ele pode potenciar os efeitos da ansiedade social.
Existem vários tratamentos que têm bons resultados: Terapia cognitivo-comportamental, grupos de “aptidões sociais” e medicação.

Em Portugal, a Ansiedade Social está muito pouco divulgada, no entanto, se existirem os mesmos 7% da população com o distúrbio, isso corresponde a cerca de 665.000 portugueses!
Aos poucos, os profissionais de saúde têm-se interessado mais por este problema e actualmente já existem vários especialistas, alguns livros publicados e nas grandes cidades é possível ser acompanhado por um psicólogo ou psiquiatra e fazer um tratamento específico. O que é altamente aconselhado, sobretudo para aqueles que vêem a sua vida grandemente afectada pela Ansiedade Social.


Algumas situações que costumam causar ansiedade e que costumam ser evitadas:
Falar em público.
Comer em público.
Ser apresentado a outras pessoas.
Ir a festas.
Ser observado a fazer alguma actividade.
Ser o centro das atenções.
Ser criticado ou brincarem connosco.
Ser observado.
Começar uma conversa.
Dar ou defender a nossa opinião.
Falar com pessoas em posições de autoridade (professor, polícia).
Ter encontros sociais com estranhos, sobretudo do sexo oposto.
Olhar outras pessoas nos olhos.
Dar ou receber elogios.
Relações pessoais, de amizade ou românticas.
Procurar ajuda médica.

Alguns dos sintomas físicos habitualmente sentidos:
Taquicárdia.
Aumento da tensão arterial.
Tremores.
Voz trémula.
Falta de ar.
Ruborização (corar).
Náuseas.
Diarreia.
Mãos frias e suadas.
Tensão muscular.
Desconforto gastro-intestinal.
Sudação excessiva (suar).
Dificuldade de contacto a nível dos olhos.

Alguns dos medos mais comuns:
Medo que os outros notem os sintomas físicos da ansiedade, tais como sudação, tremores, ruborização, voz alterada.
Parecer ridículo, tolo, desajeitado.
Parecer chato, demasiado calmo e desinteressante.
Ser negativamente avaliado e julgado pelos outros, sobretudo a nível social.

Algumas das consequências possíveis na vida de pessoas com Ansiedade Social:
Abuso de álcool, ocasionalmente ou de forma continuada.
Auto-medicação.
Depressão.
Auto-estima muito baixa.
Vida social limitada, com dificuldade em manter relações já formadas.
Falha de oportunidades de educação e emprego.
Isolamento da sociedade e da família.
Sofrimento."

Pois...